Actividades

 

 
De acordo com os dados obtidos, entre as principais actividades das associações científicas inquiridas (Figura 10) destacam-se a promoção de encontros, momentos de formação e mecanismos de comunicação que poderão visar não somente a partilha de informação entre especialistas na área científica em causa (muitos dos quais eventualmente associados) mas, também, a comunicação face a públicos mais alargados e não necessariamente especializados.Mais concretamente, é de salientar o elevado número de associações que referem a organização regular de congressos e seminários científicos (71%), de cursos de formação (52%) e de acções de divulgação científica dirigidas ao público em geral (52%). Igualmente relevante é a percentagem de associações que afirma editar regularmente algum tipo de publicação científica (49%) e disponibilizar informação de carácter técnico-científico através de bibliotecas, centros de documentação ou outros mecanismos (48%). Outras formas de comunicação, dirigidas a públicos não especializados – como a realização acções de divulgação para crianças e jovens (no ensino básico ou secundário) ou a produção de comunicados, conferências de imprensa ou outras formas de colaboração com os meios de comunicação social – surgem ainda com especial frequência entre as actividades regulares de boa parte das associações inquiridas.

Figura 10 Frequência das actividades de índole científica desenvolvidas nos últimos 5 anos (%)

N = 105

A organização de congressos, seminários ou outros encontros científicos tende a ser relativamente mais predominante entre as associações disciplinares (84% fazem-no regulamente) e de profissionais técnico-científicos (78%) bem como entre aquelas que actuam nos domínios das ciências aplicadas (89%) e das ciências sociais (74%).
A edição de publicações científicas, transversal às diversas áreas disciplinares, é também mais preponderante entre as associações disciplinares (55%) e de profissionais (67%).
No caso das actividades dirigidas a públicos não especializados – como acções de divulgação para o público em geral, ou para jovens estudantes do ensino básico e secundário – nota-se, como seria de esperar, uma maior preponderância deste tipo de funções nas associações de cultura científica (84% com regularidade). No que toca às actividades de divulgação científica para o público em geral, as associações de cultura científica continuam a ser as que mais investem nestas actividades (74% fazem-no com regularidade), mas associações disciplinares assumem também um papel importante (51% com regularidade).
Outro tipo de actividades frequentes, pese embora mais raramente referidas como regulares, são o envolvimento directo em algumas actividades de investigação científica (36% ocasionalmente, 26% frequentemente), a representação de interesses de algumas classes profissionais junto de órgãos relevantes (metade das associações que responderam ao inquérito e cerca de um quarto de forma regular) ou, ainda, o desenvolvimento de funções de apoio à definição de políticas e decisões públicas.
Como seria de esperar, as funções de representação de interesses profissionais tende a assumir especial preponderância entre as associações de profissionais técnicos e científicos, muito em especial quando se trata de representar outros profissionais que não investigadores (78%). No caso particular da defesa dos interesses profissionais da classe dos investigadores, a estas juntam-se outras associações, nomeadamente as associações a actuar em específico no domínio da promoção da cultura científica, sendo estas actividades praticadas com regularidade em 50% e 37% dos casos, respectivamente. O peso das associações de cultura científica na prática destas funções poderá indicar que a realização de acções de divulgação científica não será completamente alheia ao intuito de credibilizar e reforçar o reconhecimento social da figura do cientista em Portugal.
Os casos de promoção directa de actividades de investigação – através da concessão de financiamentos, prémios ou bolsas – tendem a ser mais escassos, ainda que não menosprezáveis (26% regularmente, 18% de modo ocasional). Esta actividade é mais recorrente entre as associações disciplinares (36%) e mais antigas (36%).
Parece relativamente frequente, por parte das associações científicas, a produção de pareceres ou de documentos de aconselhamento científico tendo em vista o apoio à decisão política e à tomada de decisões administrativas (51% ocasionalmente, 23% com maior regularidade). Já a assunção de funções de representação em órgãos consultivos de políticas de teor científico tende a ser mais escassa (36% ocasionalmente, 11% regularmente), sendo mais recorrente entre as associações de profissionais: exactamente metade afirma realizar actividades de produção de aconselhamento científico e 28% assumem regularmente representação em órgãos consultivos.
Finalmente é de referir que a prestação de serviços de consultoria técnico-científica ou outros por parte das associações científicas tende a assumir-se também como uma actividade relativamente ocasional. Bastante escassos são, por seu turno, os casos de associações que operam algum tipo de transferência de conhecimento especificamente dirigida a empresas ou de credenciação da actividade profissional de investigadores ou outros.

 
 

 Figura 11 Edição de publicações pelas associações (%)

 

N = 97


Os resultados de outras questões sustentam a importância da publicação nas actividades das associações científicas inquiridas (Figura 11). O número de associações que não produzem qualquer tipo de publicação é reduzido (apenas 7% das associações inquiridas). De entre os tipos de publicação são mais frequentes as publicações de natureza informativa e menos formal como boletins, newsletters ou jornais, que são editados por 61% das associações inquiridas.
Os restantes três tipos de publicações são menos frequentes. A revista surge como o segundo tipo de publicação mais editado sendo editada por quase metade (47%) das associações inquiridas. Menos frequentes são as publicações de natureza não periódica – livros e actas – referidas por cerca de um terço das associações.
É interessante notar que é entre as associações de profissionais especializados, sejam disciplinares ou de profissionais científicos e técnicos, que a publicação de revistas científicas se mostra mais frequente, ainda que apenas por cerca de metade associações de cada um destes tipos (57% e 47%). As associações de cultura científica revelam também um valor muito significativo deste género de publicações (39%), ficando em aberto a questão de averiguar as eventuais diferenças entre as revistas científicas publicadas por estas associações e as das associações de especialistas. Por último é interessante notar o maior número de associações da área das ciências aplicadas que publicam actas – 58% contra cerca de 30% nas outras áreas disciplinares. Esta diferença é coerente com a maior frequência com que estas associações organização congressos e outros eventos científicos.
Os públicos a que as associações inquiridas dirigem as suas publicações permitem fazer uma distinção bastante clara entre dois tipos de publicações: aquelas que se dirigem sobretudo a indivíduos com formação especializada e aquelas que se dirigem a um público alargado. O primeiro grupo é constituído pelas revistas científicas e as actas que são sobretudo dirigidas a investigadores, a profissionais científicos e técnicos e com menor frequência a estudantes de ensino superior. As associações referem dirigir este tipo de publicações a outro tipo de públicos em menos de 40% das respostas. O segundo grupo é constituído pelos boletins, newsletters ou jornais e pelos livros para os quais os públicos especializados continuam ter um lugar de destaque mas em que os restantes públicos são apontados com mais frequência - especialmente o “público em geral” que é referido em 63% e 75% das respostas respectivamente.

 

Os resultados das perguntas relativas à função ética (Figura 12) mostram que esta está ausente na maioria das associações inquiridas, pois menos de metade (34%) assinala ter código de ética; destas cerca de metade tem um conselho de ética (15%); e por sua vez menos de metade destes conselhos teve alguma actividade nos últimos 5 anos para além da redacção do código.
De notar ainda que a maior parte destas respostas provem das associações de vocação profissional, das quais 57% afirma ter um código de ética e 29% um conselho com funções nesta área. No que toca a variações por área disciplinar é também relevante o maior número de associações da área das ciências aplicadas (ciências da saúde, engenharias e tecnologias) que têm conselhos de ética/deontologia (35%).

 

Figura 12 Existência de código de ética e conselho de ética nas associações (%)

 

N = 92 e 91

 
 
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