Funcionamento interno

No que diz respeito ao funcionamento interno das associações científicas analisadas e do ponto de vista dos seus órgãos sociais, poucas têm órgãos para além dos convencionais três, a saber, direção, conselho fiscal e mesa da assembleia geral. Muitas associações consideram por exemplo não ter vocação para desenvolver vigilância deontológica; outras no entanto têm um código de ética cujo impacto prático está desde logo limitado pela inexistência de um órgão que se dedique à sua aplicação.

Os presidentes das associações entrevistadas são de um modo geral indivíduos com um curriculum vitae académico importante e que aderem à associação num ato que veem como natural na sua carreira, algumas vezes ocorrendo ainda enquanto estudantes. A constituição da lista, que é, como sucede com outro tipo de associações, prevalentemente única, é da sua responsabilidade e observa-se nela muitas vezes uma preocupação em reunir várias sensibilidades, ramos disciplinares ou regiões diversas. Porém, a iniciativa da assunção do cargo de presidente parte geralmente de um convite feito por outros e não do próprio.

A orgânica das associações científicas estudadas não é de um modo geral muito complexa, já que o seu grau de profissionalização também é baixo. A racionalidade prevalecente parece ser mais próxima de valores humanistas do que economicistas. Para isto concorrerá porventura o facto de muitas associações contarem com apoios públicos, embora haja também quem beneficie de apoios privados e múltiplos obtenham nos seus congressos ou publicações uma importante fonte de recursos financeiros.

As associações científicas debatem-se com a necessidade de encontrar processos eficazes de comunicação, seja interna, seja externa. Neste âmbito tendem a cruzar métodos ‘ tradicionais’ de comunicação com a utilização das novas tecnologias de informação. Se no primeiro caso tendem a apostar na comunicação por boletim impresso ou carta, no segundo caso utilizam uma versão digital do mesmo boletim, tendo também um site, uma ou mais mailing lists e, frequentemente, estabelecendo-se em diversas plataformas no ciberespaço, fazendo uso, por exemplo, das redes sociais ou de canais como o Youtube. As novas tecnologias são, também, utilizadas no âmbito mais interno, substituindo-se reuniões presenciais por conversas, por vezes transnacionais, via Web. É no entanto de ressalvar que a utilização de novas tecnologias como a internet não se encontra, de todo, igualmente estabelecida entre todos os associados e potenciais públicos das associações. De resto, continua a ter muita importância a utilização dos contactos com a comunicação social, no sentido de publicitar e esclarecer sobre as atividades associativas, ainda que, frequentemente, a relação com os órgãos de comunicação social levante algumas dúvidas e desilusões.

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