Atividades

Encontros científicos

No que respeita às atividades desenvolvidas pelas associações, os encontros científicos têm uma posição preponderante. Apesar dos grandes congressos internacionais conferirem aos seus participantes mais capital científico que as reuniões nacionais, estas ainda são uma “montra” da investigação que é feita no país, um ponto de encontro para gerar sociabilidade e interconhecimento, uma forma de transcender as partições e rivalidades institucionais. São também uma ocasião para captar novos associados, para ajudar à integração de jovens investigadores, para trazer figuras de relevo a Portugal e para dar visibilidade à associação, tanto junto da comunidade científica como de entidades externas (profissionais não ligados à investigação, professores e alunos do ensino secundário, representantes de ministérios e de autarquias).

 

Publicações

As publicações mantêm-se como uma atividade muito relevante das associações, mas que sofreram significativas transformações nas últimas décadas. A publicação de revistas científicas dirigidas a especialistas perdeu terreno, face à concorrência das revistas internacionais, muito mais prestigiadas. Em resultado disso, várias associações redirigiram as suas publicações para públicos mais alargados, transformando-as em veículos de difusão científica mais do que de comunicação entre pares. As novas tecnologias de informação vieram permitir reduzir os custos das publicações e aumentar a sua circulação. Também muito comum é a publicação de boletins ou newsletters, com o objetivo de divulgar as atividades aos associados, bem como de livros e atas de congressos.

 

Divulgação e educação científica

Boa parte das associações desenvolve algum tipo de ação de divulgação/ educação científica. Para além da publicação de pequenas peças em boletins, newsletters, etc., ou de ocasionais contatos com os média, as sociedades científicas disciplinares tendem neste âmbito a revelar uma abordagem mais minimalista e tradicional. Em regra privilegiam as palestras ou encontros simulares – ora dirigidos a grupos em idade escolar, ora a audiências mais variadas. Já entre as associações especificamente vocacionadas para a divulgação científica, como seria de esperar, o número e a diversidade de atividades neste domínio é bastante superior: às palestras juntam-se projetos de ensino experimental, sessões de observação, visitas a laboratórios, passeios de campo, blogs, livros, exposições, etc. (que acabam por abranger públicos bastante diversificados). Nestes casos, para além da exploração de espaços educativos informais, há a assinalar a tentativa de articulação entre ciência e outras formas de manifestação/ intervenção sociocultural, bem como, por vezes, a promoção de experiências de "civic science". As associações de profissionais tendem, por seu turno, a revelar-se bastante mais distantes dos desígnios da divulgação científica.

 

 

Aconselhamento/lobby

As associações científicas aqui analisadas têm alguma representação em organismos públicos de consulta e formulam pareceres como especialistas também noutros âmbitos, mas não o fazem de forma sistemática nem parecem confiar que as suas posições tenham um impacto importante nas políticas públicas. Os estudos encomendados pelo poder político, por exemplo a centros de investigação, tendem hoje a concorrer com os pareceres que tradicionalmente as associações científicas forneciam. A auscultação destas associações dependerá em boa parte da visibilidade que as associações conseguem alcançar, designadamente através dos seus dirigentes e da atualidade dos seus objetivos.

Relativamente a outras formas de representação de interesses e influência, concretamente ao nível de ações de pressão a que se chamámos lobby, apesar da resistência que o termo pode suscitar entre nós, os estudos de caso revelam situações de sucesso e algumas de insucesso, mas sobretudo uma consciência da necessidade de recursos, humanos e outros, de que nem sempre dispõem, assim como da existência de um tempo adequado para o efeito, sendo que uma mudança de legislatura implica normalmente um reinício do processo; a inexistência de uma estrutura supra-associativa ativa pode ser, a nosso ver, um fator de enfraquecimento da ação destas associações.

 

Apoio profissional

As associações científicas proporcionam aos seus sócios um conjunto de serviços que podem ser agregadas sobre o rótulo genérico de apoio profissional. Por um lado, várias associações desenvolvem atividades de formação, que podem assumir a forma de colóquios e conferências ou de cursos especializados. Algumas associações disponibilizam informação de teor científico aos sócios ou ao público, através de bibliotecas ou centros de documentação. Os prémios e bolsas de estudo são uma forma de apoiar financeiramente a investigação científica e estimular a adesão às associações (são geralmente reservados a associados), mas também de conferir prestígio e reconhecimento simbólico aos investigadores. Outras formas mais raras de apoio proporcionado pelas associações científicas (sobretudo associações profissionais de cientistas), são as bolsas de emprego, os estágios profissionais e o apoio jurídico.

 

I&D e transferência de tecnologia

Tudo indica que as associações científicas portuguesas tendem a desempenhar um papel bastante marginal tanto no que toca à realização de atividades de I&D como, mais ainda, no que respeita à transferência de tecnologia para o sector empresarial. Ainda assim, entre as associações orientadas para a promoção de cultura científica, identificaram-se alguns casos de envolvimento direto em projetos de pesquisa. O aspeto mais interessante é que, com alguma frequência, estes exploram novas formas de participação de “amadores” nestas atividades e/ou demonstram uma considerável ligação à realidade específica de determinados territórios. Deste ponto de vista, poder-se-ão equacionar como assentes em modelos relativamente "alternativos" de investigação científica – o que, aliás, pode ajudar a explicar o facto de se encontrarem neste tipo de associações e não nas sociedades disciplinares (onde, proporcionalmente, a classe profissional dos investigadores tende a ter mais protagonismo).
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