Sessão 4

Outras organizações na ciência

·        A Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica (1967-1974), Tiago Brandão (IHC, FCSH-UNL)

        Seja qual for o valor que se pretenda dar à organização da ciência durante o Estado Novo, no meio de tantas instituições criadas, há uma que importará sempre destacar, é a Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica (JNICT) – Decreto-Lei n.º 47 791, 11 de Julho de 1967. Este organismo foi criado, em 1967, com a incumbência de “planear, coordenar e fomentar” o esforço de investigação, tanto científica como tecnológica em todo o “espaço português” e sempre tendo presente a “máxima produtividade”. No seguimento das recomendações de organismos internacionais, a criação da JNICT veio assinalar, sem dúvida, uma nova fase no processo de ‘emergência’ (ou construção) da política científica em Portugal. A JNICT emergiu assim, no seio do que modernamente chamamos como “sistema nacional de ciência e tecnologia”, com uma missão bem definida e, claramente, distinta da dos restantes organismos existentes. A JNICT foi, sem dúvida, antes de mais, um corpo encarregue da coordenação horizontal, explicitamente reconhecida, articulando os mundos da investigação científica e inclusive com outros sectores da vida nacional. À JNICT cumpria, nesse sentido, orquestrar ou influenciar um conjunto de instituições, entidades ou personalidades no desempenho de diferentes funções tendo em vista o interesse nacional. Para esse fim, contava a JNICT, inicialmente, apenas com o poder de influência do seu presidente, que pouco mais dispunha do que uma vida de contactos e a experiência de um curriculum no campo da administração da ciência em Portugal. Procurar-se-á trazer então, dentro dos limites que a duração da comunicação venha a impor, aspectos sobre a actuação da JNICT, os contornos da política científica seguida, nomeadamente as opções estratégicas vislumbradas, bem como os debates e polémicas desse período de actuação correspondente ao último acto do Estado Novo (1967-1974).

 

·        A Comissão INVOTAN – “Embrião de um Organismo Coordenador de todas as actividades científicas nacionais”, Paulo Vicente (IHC, FCSH-UNL)

        O segundo pós-guerra é um período de substanciais novidades na conjuntura internacional que influenciam o próprio percurso histórico e político de Portugal. Uma dessas novidades é sem dúvida a preocupação e consciencialização dos assuntos científicos no contexto da Guerra Fria. No âmbito de episódios específicos da década de 1950 relacionados com o internacionalismo científico – a Conferência de Genebra de 1955 ou o Ano Internacional Geofísico, em que se insere o evento Sputnik - leva a NATO a criar no seu seio um Comité Científico. Entre as actividades deste Comité, destacamos a criação de um programa de bolsas que tinha como duplo propósito enfrentar a nova reconhecida ameaça do poderio científico soviético – reconhecido na Conferência de Genebra e nos Sputniks – e fortalecer o sentimento de pertença dos aliados europeus dentro da NATO. O contacto entre Portugal e este Comité Científico da NATO será feito ao nível da INVOTAN, uma comissão interministerial de coordenação científica criada oficiosamente em 1959. Esta Comissão veio a revelar-se como uma excepcional primeira experiência de organização da política científica em Portugal que levará à criação da própria JNICT (a futura FCT) em 1967, na qual ficará integrada a INVOTAN, já oficialmente, em 1970.

 

·         Ciência e Modernização. Actividades do Centro de Estudos de Economia Agrária (Portugal, 1957-1986), Dulce Freire (ICS-UL)
        O Centro de Estudos de Economia Agrária (CEEA) funcionou, entre 1957 e 1986, como uma das unidades de investigação da Fundação Calouste Gulbenkian. O CEEA surgiu como uma resposta da sociedade civil, em tempo de ditadura, para actuar em áreas de investigação e de divulgação consideradas essenciais para viabilizar a modernização da agricultura portuguesa. Esta comunicação visa apresentar e discutir as actividades desenvolvidas pelo CEEA, em duas vertentes principais. Enquanto centro de investigação científica nas áreas da economia e sociologia, promovendo pesquisas consideradas relevantes para informar políticas públicas adequadas à expansão do modelo da revolução verde. Como centro de formação científica singular no panorama português da época, proporcionando a agrónomos e cientistas sociais dedicação exclusiva à investigação e participação nos debates internacionais.

·         Collective self-help: Evidence of creative peer-to-peer collaboration in knowledge-intensive businesses from the cutting-edge industrial past, Sandro Mendonça (ISCTE-IUL)
        Science and technological are seldom breakthroughs are seldom not the product of isolated efforts. That is even more so as time moves on, as knowledge cumulates, and as fields become more complex and interdependent. The collective dimension of major intellectual enterprises is a phenomenon worth emphasising for reasons of descriptive accuracy as well as policy design. One might argue, however, that the gales of organisational innovation unleashed by the Scientific  Revolution that put into motion a pan-European Republic of Letters in the 17th century and a number of solid academies by the 18th century were not restricted to high-minded gentleman and well-off aristocrats with free time on their ends. At the turn to the early 19th century this movement towards free association was, in effect, becoming widespread and empowering applied pursuits in the realm of economically relevant technology. To this manifestation of the spirit of the times the economic historian Joel Mokyr gave the name “Industrial Enlightenment” (also the title of his book of 2009). This paper adds evidence to this observation by focusing one of the most knowledge-driven, technologically dynamic and capital-intensive industries of the 19th century. We tell the story of the emergence of modern ship navigation from the untold point of view of British engineering communities. By relying heavily on direct work with largely unpublished primary sources we show how the development of the iron-made, screw-propelled, large steamship was an outcome of open and collaborative invention and of a pattern of vigorous interaction prevailing among marine engineers and naval architects. This collective behaviour, however, was not conducted spontaneously. A number of institutional innovations took place between the 1818 and 1860 which can be linked to the rapid maturation of reliable and efficient ocean-going ship technology. It can be shown that these institutions exhibited what may be described as the classic Mertonian norms of science. Describing what institutions emerged and explaining how they worked to produce decisive effects in the field of steam navigation is the key task of this paper.


·         Trabalho, precariedade e organizações profissionais: um estudo de caso da profissão científica, Alfredo Campos (CES Coimbra)
        Na transição do modelo produtivo fordista para a diversidade de modelos pós-fordistas, a flexibilização da gestão e da produção tem sido a característica central. Verifica-se que a flexibilização maioritariamente prosseguida salvaguarda principalmente os trabalhadores mais qualificados, precarizando o trabalho e emprego dos desqualificados ou menos qualificados. No entanto, constata-se já, particularmente junto de jovens trabalhadores qualificados, também a precarização das suas relações de trabalho e emprego. Nesta comunicação são teorizados os fatores que propiciam uma maior ou menor precarização, considerando-se como central o poder profissional. Abordam-se os fatores que lhe dão forma, com destaque para a existência de organizações profissionais fortes. A partir desta abordagem, apresentam-se os resultados de um estudo de caso junto dos profissionais da ciência, mediante inquérito por questionário a uma amostra de 563 investigadores. Foram abordadas as suas relações de trabalho e emprego, a nível da mobilidade, autonomia, condições de trabalho, uso da qualificação, existência de suspensão involuntária da atividade, pertença a organizações profissionais e capacidade de negociação. Os resultados encontrados apontam para uma estratificação das relações de trabalho e emprego, em função do posicionamento na profissão.

 

·         Questões em torno de novas formas associativas: o Projecto Ciência 2.0, José Azevedo, Susana Pereira, Diana Marques, Paulo Fontes (Universidade do Porto)
        O Projecto Ciência 2.0 é um projecto que procura fomentar a divulgação de ciência usando uma estratégia de disseminação multiplataforma, que permite um fluxo de informação  entre plataformas mediáticas por meio de recursos adicionais de exploração dos conteúdos, permitindo assim chegar a públicos-alvo mais alargados e ir de encontro a uma cultura de convergência que se parece desenvolver particularmente junto dos jovens. Para além da participação activa em redes sociais (para comunidades específicas e generalizadas), este projecto prevê ainda que os seus consumidores assumam ainda o papel de colaboradores na produção de conteúdos para a respectiva plataforma Web, numa área designada para esse efeito. Nesta apresentação procuramos ainda refletir sobre a forma como estas novas plataformas de comunicação alteram a própria produção científica e a relação entre a compreensão pública da ciência e a cultura digital.

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