Sessão 3

Associações em perspectiva histórica
·        Associativismo científico na I República: o caso da Sociedade Portuguesa de Estudos Históricos (1911-1928), Ricardo de Brito (FLUL)
        Sociedade científica no campo dos estudos históricos que surge nos primórdios da I República (1911), a SPEH congregou um conjunto significativo de figuras da elite intelectual do seu tempo, como Fidelino de Figueiredo, Fortunato de Almeida, João Lúcio de Azevedo, Edgar Prestage, entre outros. Nela afirmaram-se diversas tendências historiográficas. Mas este movimento pautou-se essencialmente por uma reacção crítica ao positivismo, e numa outra vertente, à acção política republicana. Foram várias as acções desta sociedade. O objectivo desta comunicação é apresentar os primeiros resultados de uma investigação em curso. Apresentar-se-á a génese e evolução deste movimento, um estudo prosopográfico dos seus sócios e uma análise da sua vida associativa. Procurar-se-á ainda perceber como os colaboradores do seu órgão, Revista História (1912-28), contribuíram para abrir novas perspectivas no panorama historiográfico de então.

 

·        A Associação dos Arqueólogos Portugueses e a afirmação da arqueologia na contemporaneidade portuguesa, Ana Cristina Martins (IICT)

        Fundada em 1863, numa altura em que a arqueologia começava a firmar-se além fronteiras, a Associação dos Arqueólogos Portugueses atravessou períodos paradigmáticos da história do país, em geral, e de Lisboa, em particular. Materializou vontades, ilusões, decepções, sucessos e malogros, em tentativas sucessivas de enraizar uma prática científica nem sempre compreendida, acolhida e desenvolvida por todos os agendamentos, independentemente da sua natureza e procedência. Apesar das adversidades circunstanciais, os seus membros agregavam-se em torno de actividades visando o reconhecimento académico e social do saber que cultivavam, inscrevendo-o num sentido patrimonial mais abrangente. Em simultâneo, multiplicavam iniciativas de ampla divulgação e incremento junto dos mais diversos públicos, mormente daqueles dos quais dependia a sua implementação, demonstrando suas valências para a afirmação de identidades, sobretudo locais e regionais.

 

·         A Associação dos Engenheiros Civis Portugueses e os caminhos-de-ferro: teoria e prática (1870-1899), Hugo Pereira
        Em finais dos anos 1860 a política de austeridade do governo reformista aplicou uma série de cortes ao Estado, onde se incluíram a extinção do Corpo de Engenharia Civil e do Conselho de Obras Públicas (substituído por uma Junta Consultiva). Temendo a paralisação da política de fomento, alguns engenheiros formaram a Associação dos Engenheiros Civis Portugueses para continuar a pressão em favor dos melhoramentos materiais. A Associação instituiu-se como parceiro qualificado do Estado, emitindo, a pedido ou por iniciativa própria, pareceres sobre questões ligadas a engenharia e obras públicas. Um dos aspectos que mais atenção mereceu desta instituição foi o caminho-de-ferro, que na altura se ia estendendo pelo país. Nesta comunicação pretendemos abordar que opinião tinham os engenheiros da Associação sobre a ferrovia; que ênfase teórica e prática davam à questão; e como se posicionaram junto do governo para definir uma política ferroviária nacional. Para isto recorreremos à Revista de Obras Públicas e Minas (publicada pela Associação) e a outros registos da opinião dos seus sócios e compararemos a opinião aí emitida com o resultado final da rede definida pelo poder político, por nós estudada em curso de doutoramento.

·         As sociedades científicas no Portugal republicano: uma perspectiva histórica a partir dos estudos do cancro e da radioactividade, Ricardo Moreira (ICS-UL)
        O nuclear em Portugal conhece os seus primeiros desenvolvimentos com o surgimento de alguns praticantes de Radiologia e dos primeiros investigadores em Física de Radiações. Ambos introduzem o fenómeno da radioactividade no meio académico e promovem a sua aplicação médica com fins terapêuticos ou de diagnóstico, sobretudo numa área dos estudos do cancro em franco desenvolvimento. A utilização das radiações pela medicina torna-se aliás um dos principais motores de desenvolvimento da investigação sobre o fenómeno da radioactividade, um processo para o qual terão contribuído um conjunto de sociedades científicas e instituições públicas e privadas. Em Portugal, à semelhança do que se passava nos restantes países da civilização científico-industrial, as associações científicas ganhavam existência com a crescente predisposição para a investigação e a especialização disciplinar, sobretudo a partir do impulso modernizador que adveio com o regime republicano de 1910. O primeiro terço do século XX terá sido particularmente propício à actividade das sociedades científicas existentes mas também ao nascimento de novas associações, para o que terão em muito contribuído a reforma académica de 1911, a reforma do ensino médico e uma nova  predisposição para a internacionalização das elites intelectuais locais, crescentemente familiarizadas com os progressos científicos em curso na Europa e na América. Neste movimento de transformação da realidade científica nacional e lisboeta, a Oncologia e a Física de Radiações terão tido um papel de assinalável relevo histórico.

·         The opportunity cost of scientific associativism: the case of Planning in Portugal, João Mourato (ICS-UL)
        Planning in Portugal is a weak public policy, of little political clout and with a deficit of social recognition. If we agree that Planning is key to promote sustainable socioeconomic development perspectives and the equitable improvement of the standards of living then we question why it is so? To begin with, Planning as a ‘cause’ has no proper ‘champion(s)’. In this paper, we argue whether the prevailing ‘culture’ of scientific associativism is preventing such ‘champion(s)’ to arise hence hampering Planning’s impact as a public policy.
Scientifically, Planning in Portugal never existed autonomously. Multi-, and inter-disciplinary by nature, Planning has evolved as, and remains still, a fringe subject among an array of consolidated disciplines (e.g. Architecture, Geography, etc.). This status quo is nevertheless being challenged by: (i) a paradigm shift towards a growingly trans-, multi, and interdisciplinary approach in sciences which tests the limits to the existing framework of discipline-based scientific associations; (ii) the redefinition of the role of scientific associations that double as professional guilds and subsequent implications on the mission of the former; and (iii) a community of practice at the professional and academic level growingly distant from their disciplinary background.
In this paper, we critically review the real rationalität and opportunity costs of the prevailing ‘culture’ of Planning-related scientific associativism in Portugal.

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